Se me seguem no Instagram, talvez já tenham percebido: as minhas noites (e grande parte do meu tempo livre) têm sido dedicadas a estudar. Apesar de isso não ser exatamente uma novidade na minha vida, há algo diferente desta vez, e é disso que vos quero falar hoje.
No mês passado, tomei uma das decisões mais difíceis (e, ao mesmo tempo, mais libertadoras) da minha vida: despedi-me do meu trabalho.
Sim, leram bem. Desempregada.
Quando o trabalho começa a custar a saúde mental
Quem acompanha o blog desde o início já leu sobre as minhas crises de ansiedade e sobre como o stress sempre foi um vilão constante no meu dia a dia. Mas desta vez… foi diferente. Mais intenso. Mais pesado. Mais difícil de ignorar.
A verdade é que o problema deixou de ser apenas “mais uma fase complicada”. Tornou-se estrutural. Os atrasos nos pagamentos começaram a ser recorrentes, o desrespeito tornou-se normalizado e o nível de exigência… completamente irrealista face ao tempo e às condições disponíveis.
Era como estar constantemente a correr uma maratona sem linha de chegada.
E sabem aquele cliché da “panela de pressão”? Foi exatamente isso que senti. Um acumular lento, silencioso, até que percebi: ou saía pelo meu próprio pé, ou a minha saúde ia pagar a fatura.
Despedir-me foi um acto de coragem (e sobrevivência)
Durante muito tempo, convenci-me de que conseguia aguentar. Afinal, quem nunca se disse a si próprio “é só mais um bocadinho”? O problema é quando esse “bocadinho” se transforma em meses… ou anos.
Se estou arrependida? Nem um pouco.
Se me sinto perdida? Um bocadinho, sim, e acho que isso também faz parte.
Porque, sejamos honestos: tomar a decisão de se despedirem sem um plano totalmente definido não é fácil. Existe medo, insegurança e uma dose considerável de incerteza. Mas há também algo que não se pode ignorar, o alívio.
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Culpa, medicação e o ponto de rutura
Se há algo que preciso de admitir (e que talvez também vos faça sentido), é que durante muito tempo ignorei os sinais.
Ou melhor… disfarcei-os.
A medicação ajudava a manter tudo “funcional”. Um comprimido para dormir. Outro para acalmar. E assim fui andando, como se isso resolvesse o problema de fundo.
Spoiler: não resolve.
Cheguei a um ponto em que o meu dia começava já com ansiedade. Antes mesmo de sair de casa, o corpo já estava em alerta máximo. O cansaço era constante, a motivação inexistente e a energia… zero.
E foi aí que percebi: isto não é vida.
Não é suposto precisarmos de medicação para sobreviver a um trabalho.
O momento da decisão: sair ou quebrar
Houve um momento muito claro em que tudo fez “clique”. Não foi dramático nem cinematográfico. Foi simples, e talvez por isso ainda mais impactante.
Percebi que continuar ali significava perder-me.
E vocês? Já sentiram isso alguma vez? Aquela sensação de que estão a insistir em algo que vos está, lentamente, a destruir?
O meu advogado sugeriu avançar com um processo por assédio moral. E, sim, talvez tivesse sido o caminho mais “justo”. Mas decidi não o fazer.
Por quê?
Porque, no meio de tudo, ainda havia pessoas de quem gosto e que respeito. E, porque senti que precisava de fechar este capítulo com paz, não com mais desgaste.
Nem sempre a melhor decisão é a mais óbvia. Às vezes, é simplesmente a que vos permite seguir.
Ano novo, vida nova, mas com consciência
Vou sair oficialmente a 31 de dezembro. Literalmente no fim do ano. E confesso: houve um simbolismo bonito nisso.
Como se estivesse, de facto, a virar uma página.
Mas não vos vou vender uma narrativa perfeita, porque ela não existe. Recomeçar é bonito, sim. Mas também é desconfortável, incerto e, por vezes, assustador.
Estou desempregada. E isso traz preocupações reais.
Mas também trouxe algo que eu já não sentia há muito tempo: espaço para respirar.
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O lado bom de recomeçar (sim, ele existe)
Se há algo positivo nesta decisão, é que me obrigou a parar. A sério.
A refletir sobre o que quero. Sobre o que me faz feliz. Sobre o tipo de vida que quero construir daqui para a frente.
E foi nesse espaço que voltei a algo que sempre fez sentido para mim: estudar marketing e comunicação.
Com o blog, sinto uma vontade crescente de explorar novas ideias, criar mais conteúdo e experimentar caminhos diferentes. Ainda não tenho tudo definido, e está tudo bem com isso.
Aliás, acho que essa é uma das maiores lições: nem sempre precisamos de ter tudo planeado para dar o primeiro passo.
O maior ganho? A minha saúde mental
Há um detalhe que preciso mesmo de partilhar convosco, porque, para mim, foi revelador.
Desde que me despedi… deixei de precisar de medicação para dormir.
E também deixei de precisar de medicação para controlar a ansiedade.
Percebem o impacto disto?
O problema nunca fui eu. Era o contexto onde eu estava inserida.
E isto mudou completamente como vejo o trabalho, o sucesso e até o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
E agora?
Agora, estou a reconstruir. Com calma. Com intenção. E, acima de tudo, com mais consciência.
Sei que ainda há um caminho pela frente. Sei que haverá desafios. Mas também sei que tomei a decisão certa para mim.
E isso, por si só, já vale muito.
Vamos continuar esta conversa?
Se chegaram até aqui, gostava mesmo de saber: já passaram por uma situação semelhante? Já sentiram que precisavam de mudar tudo para se reencontrarem?
Contem-me nos comentários, adoro ler as vossas histórias e trocar experiências convosco.
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Porque, no fim do dia, é disso que se trata: criar uma vida que faça sentido para vocês.
E, às vezes, isso começa com uma decisão difícil… como a de dizer “chega”.

Quando não satisfeita com o trabalho, arriscar para depois melhor recomeçar! Boa sorte! beijos, chica
ResponderEliminarMuito obrigada!
EliminarMucha suerte y espero que estés mejor. Te mando un beso y todo mi cariño
ResponderEliminarObrigada!
EliminarTambem tenho crise de ansiedade, é horrivel. E voce foi corajosa. É assim messmo que tem que fazer
ResponderEliminarMuito obrigada pelo apoio!
EliminarA volte dei cambiamenti importanti, si rendono necessari nel corso della nostra vita, per renderla più serena.
ResponderEliminarUn caro saluto
Obrigada!
EliminarOlá.
ResponderEliminarTem momentos que essas decisões precisar ser tomadas. Isso aconteceu algumas vezes com minha esposa. Tem hora que simplesmente ou você larga um emprego estressante além dos limites toleráveis ou você adoece. Esse ciclo de remédios para insônia, para ansiedade, para tudo, é a grande desgraça do nosso tempo. Não estou dizendo de forma alguma que não há pessoas e situações em que a medicação vá ajudar, mas ficar dependente deles é uma bomba relógio que poderá explodir a qualquer momento.
Te desejo um bom ano novo, com novos desafios.
E com estresse na medida aceitável....rs
Muito obrigada pela partilha! Infelizmente é isso mesmo que aconteceu comigo!
EliminarQualquer emprego não merece que percamos a nossa saúde por sua causa! Estar infeliz num local de trabalho só aumenta a nossa angústia e podemos estar a perder uma oportunidade de estarmos noutro lugar muito mais felizes! Boa sorte para 2025 e um emprego no sapatinho como prenda! Sê feliz! Mesmo que seja a fazer um trabalho mais simples!
ResponderEliminarMuito obrigada pelo feedback e apoio!
EliminarOi Teresa, desejo muita sorte nesse seu novo ciclo e que muitas oportunidades batam à sua porta. Eu, desde sempre estou mais perdida que a Alice. Não consigo escolher o caminho a seguir porque não sei para onde ir. Assim que conseguir descobrir o destino, estarei pronta para escolher o caminho. Espero que isso aconteça logo.
ResponderEliminarAté breve;
Helaina (Escritora || Blogueira)
https://hipercriativa.blogspot.com (Livros, filmes e séries)
https://universo-invisivel.blogspot.com (Contos, crônicas e afins)
Já passei pelo mesmo mais vezes do que desejava, a última foi em Março, com direito a ir ao hospital e carta de demissão na segunda feira seguinte. Há 19 anos aproveitei a Licença de Maternidade para sair de um emprego em que após 6 anos comecei a saltitar de função em função para ver se eu saía e fiz-lhes a vontade, há 10 anos, por exemplo, chegava a casa a tremer, tal era a pressão que sentia no trabalho, há 4 anos fizeram o favor de não me renovar o contrato, há 2 anos igual. Agora estou a trabalhar numa Associação e não tem nada a ver com trabalhar em empresas. Boa sorte.
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