Hábitos esquisitos: os meus (e os vossos) também contam

Adentrar o território dos hábitos esquisitos é mais ou menos como abrir uma caixa de Pandora… só que, com menos drama mitológico e mais “ok, isto talvez não seja normal”. Nós sabemos que eles existem. Sabemos que toda a gente tem um. E mesmo assim, poucos são os corajosos o suficiente para os admitir em voz alta, como se um pequeno hábito estranho fosse automaticamente uma confissão de crime.

Mas afinal… o que define um hábito como esquisito?

É que a palavra “esquisito” tem má reputação. Parece sempre que vem agarrada a uma etiqueta de “socialmente duvidoso” ou “alguém devia analisar isto”. Contudo, na prática, a maioria dos hábitos estranhos são apenas… peculiaridades do dia a dia. Coisas pequenas, repetitivas, quase automáticas. E muitas vezes até úteis.

Porque a verdade é esta: aquilo que para uns é esquisito, para outros é simplesmente rotina.

E como eu gosto de vos trazer conteúdo real, honesto e com um bocadinho de “sim, eu faço isto e não, não vou fingir que não”, hoje decidi mergulhar de cabeça nos meus próprios hábitos esquisitos. Vamos lá ver se são realmente tão estranhos quanto parecem… ou se vocês vão ler isto e pensar “finalmente, alguém me entende”.

Pessoa sentada a escrever num caderno, com uma chávena de café ao lado, num momento tranquilo de rotina e reflexão
📑 Índice:


Porque “esquisito” não é necessariamente mau

Antes de irmos aos hábitos em si, preciso de fazer aqui uma defesa rápida do termo “esquisito”.

Porque, sim, há hábitos estranhos que são irritantes, pouco práticos ou até completamente desnecessários. Mas também há hábitos esquisitos que são apenas uma forma do nosso cérebro criar um sentido de ordem, conforto e previsibilidade.

E isto acontece especialmente quando:

  • estamos cansados;
  • estamos ansiosos;
  • sentimos que há demasiadas coisas fora do nosso controlo;
  • ou simplesmente somos pessoas que gostam de “ter as coisas no sítio”.

No fundo, muitos hábitos peculiares são uma espécie de mini-ritual pessoal. E se não prejudicam ninguém… então talvez não sejam assim tão problemáticos.

Ou seja: ser esquisito não é o fim do mundo. É só personalidade.


✅ Podem também querer ler: Como a rotina pode ser um processo de cura


Como lidar com hábitos estranhos

Aceitem que toda a gente tem os seus “tiques” (até aquela pessoa que parece super normal).

Imagem com checklist de dicas sobre como lidar com hábitos estranhos, incluindo aceitar tiques, avaliar impacto e transformar o hábito num ritual útil

Perguntem-se: isto prejudica alguém?

Se a resposta for “não”… então talvez seja só um detalhe de personalidade.

Identifiquem o gatilho do hábito

(stress, ansiedade, rotina, cansaço, necessidade de controlo… ou simplesmente mania).

Riam-se um bocadinho de vocês mesmos

sem culpa e sem auto ataques. Humor é terapia low cost.

Se for algo que vos atrapalha, tentem ajustar aos poucos

em vez de tentarem mudar tudo de um dia para o outro.

Não se comparem

porque “normalidade” é uma invenção coletiva muito mal organizada.

Transformem o hábito num ritual útil

(se já existe, ao menos que sirva para alguma coisa).

Falarem sobre isso ajuda

com amigos, nos comentários do blog, ou até no vosso diário.

Se for algo que causa sofrimento real, considerem pedir ajuda

porque já não é “esquisito”, é peso a mais para carregarem sozinhos


Agora sim, vamos ao que interessa.


Os Meus Hábitos Esquesitos


Trocar de meias com frequência obsessiva

Sim, eu sei. Já falei disto por aqui. E sim, eu vou voltar ao assunto porque continua a ser um comportamento absolutamente incompreensível para muitas pessoas… mas totalmente lógico para mim.

O simples ato de descalçar os pés ativa em mim uma urgência quase compulsiva: as meias têm de ser trocadas.

Não importa se:

  • as usei 10 minutos;
  • nem sequer saí de casa;
  • foi só para calçar ténis rapidamente;
  • nem suei (juro!).

A partir do momento em que as meias saem dos meus pés, elas entram automaticamente no grupo “meias sujas” e seguem para lavagem. Sem discussão. Sem apelo. Sem direito a recurso.

E sim, isto significa que posso gastar mais meias do que o necessário, mas a sensação de “meias reaproveitadas” simplesmente não me serve.

Isto é esquisito? Talvez.

Mas também é verdade que há qualquer coisa de reconfortante em saber que estou sempre a usar meias “frescas”. É como uma pequena reinicialização do dia. Uma espécie de reset.

E sinceramente? Há hábitos piores.


✅ Podem também querer ler: Hábitos que parecem normais mas fazem mal


A arrumação antes do descanso

Eu adoro aquela ideia romântica de “deitar-me e adormecer em dois minutos”.

Na teoria.

Na prática, eu só consigo descansar se sentir que está tudo minimamente no lugar. Não estou a falar de uma limpeza profunda digna de filme, mas sim daquele tipo de arrumação estratégica que impede o cérebro de começar a fazer listas de tarefas às 23h47.

Se houver:

  • coisas fora do sítio;
  • um armário aberto;
  • roupa “em cima da cadeira” (aquela cadeira que toda a gente tem);
  • loiça esquecida no lava-louça…

…a minha mente entra num modo altamente produtivo e nada simpático. Fico com a sensação de que não posso dormir enquanto o caos existir.

É como se o meu cérebro dissesse:

“Dormir? Agora? No meio desta desordem? Não, minha querida. Não hoje.”

E pronto. Lá vou eu arrumar mais “só isto” e “só aquilo”, até conseguir finalmente deitar-me em paz.

Este hábito pode parecer exagerado, mas tem uma explicação simples: a desorganização visual baralha-me por dentro.

Quando o espaço está arrumado, a cabeça acalma.

E se isto me dá noites mais tranquilas, então pronto: chamem-lhe esquisitice, eu chamo-lhe sobrevivência emocional.


O ritual da escolha do assento

Este é daqueles hábitos que eu só percebi que era estranho quando comecei a reparar que… mais ninguém levava isto tão a sério.

Sou uma criatura de hábitos enraizados, especialmente quando se trata de café. Tenho o meu sítio. A minha rotina. E o mesmo estabelecimento onde apareço com frequência quase religiosa.

Mas aqui vem o detalhe peculiar: eu tenho uma mesa e uma cadeira específicas.

E não é “ah, prefiro aquela zona”. Não.

É mesmo: aquela mesa. Aquela cadeira. A mesma posição. O mesmo lugar.

Se estiver ocupado, eu posso sentar-me noutro sítio? Claro que sim.

Mas vou estar:

  • levemente desconfortável;
  • a olhar para a minha mesa como se fosse minha propriedade privada;
  • a pensar “isto hoje não está a fluir”.

Pode parecer ridículo, mas há um conforto enorme em repetir pequenos padrões. Há qualquer coisa de familiar e estável em saber exatamente onde me sento, o que vejo e como me sinto naquele lugar.

É quase como se o corpo entrasse no modo “ok, agora estamos em paz”.

E sim… eu sei que isto tem um toque de personagem secundária de sitcom, mas é o que é.


Afinal… quais são os vossos hábitos mais estranhos?

Agora devolvo-vos a pergunta, porque a minha curiosidade é real e eu preciso de saber se sou caso único ou apenas parte de uma comunidade secreta de pessoas que fazem coisas estranhas em silêncio.

Quais são aqueles pequenos hábitos esquisitos que vocês têm e que:

  • nunca contam a ninguém;
  • fazem automaticamente;
  • e depois pensam “se alguém visse isto, era capaz de achar estranho”?

Partilhem comigo nos comentários, ou venham conversar comigo pelo Instagram, porque eu adoro ler estas confissões do quotidiano. (E prometo não julgar… muito.) 😌

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