Sol e pele: mitos, riscos e proteção eficaz

 No Verão, a exposição solar aumenta de forma inevitável e, com ela, também os riscos associados à saúde da pele. Embora o sol seja essencial para o bem-estar e para processos biológicos importantes, a exposição excessiva ou sem proteção pode ter consequências significativas.

Para esclarecer os impactos da radiação UV, a importância da proteção solar e os cuidados essenciais a adotar, falámos com a Dra. Rachel Siqueira, médica formada pela Universidade do Brasil, com formação em medicina interna e estética.

Médica sorridente em consultório, representando os cuidados de saúde com a pele e a prevenção contra a radiação solar no verão.
📑 Índice:


 Impacto da exposição solar na pele

A exposição solar é muitas vezes associada apenas ao bronzeado ou às queimaduras, mas os seus efeitos vão muito além disso. A radiação UV atua de forma cumulativa ao longo da vida.

Teresa Silva: No Verão passamos naturalmente mais tempo ao sol. Que impacto pode a exposição solar ter na nossa pele, tanto a curto como a longo prazo?

Dra Rachel Siqueira: A radiação ultravioleta (UVA e UVB) tem impacto direto na saúde da pele.

A curto prazo, pode causar eritema (queimadura solar), bronzeamento, desidratação, descamação e reações fotossensíveis. Estes efeitos refletem um processo inflamatório e já indicam dano celular.

A longo prazo, a exposição cumulativa está associada ao fotoenvelhecimento da pele, com aparecimento de rugas, manchas e perda de elasticidade, ao desenvolvimento de lesões pré-cancerígenas e ao cancro da pele, incluindo melanoma.

Mesmo quando não existem sinais visíveis, a radiação UV provoca alterações profundas, como dano no DNA, stress oxidativo, degradação do colagénio e imunossupressão cutânea, acelerando o envelhecimento e aumentando o risco de doença.


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Danos invisíveis da radiação UV

Nem todos os danos solares são imediatos ou visíveis. Muitas alterações acontecem silenciosamente ao nível celular.

Teresa Silva: Muitas pessoas associam o sol apenas a queimaduras ou cancro de pele. Que outros danos menos visíveis podem ocorrer na pele?

Dra Rachel Siqueira: Para além dos efeitos visíveis, a radiação ultravioleta provoca danos profundos e progressivos na pele.

Entre esses danos estão alterações no DNA celular, produção de radicais livres (stress oxidativo), degradação das fibras de colagénio e elastina e ainda imunossupressão cutânea.

Estes processos não são imediatamente percetíveis, mas contribuem de forma significativa para o envelhecimento precoce da pele e para o aumento do risco de doenças cutâneas ao longo do tempo.


Sinais de alerta na pele

Observar a pele com atenção é fundamental para identificar alterações precoces associadas à exposição solar excessiva.

Teresa Silva: Quais são os sinais de alerta na pele que podem indicar danos causados pela exposição solar?

Dra Rachel Siqueira: Os sinais de alerta podem incluir queimaduras solares frequentes, manchas que persistem ou se alteram, mudanças na textura da pele e o aparecimento de novas lesões.

Também deve haver atenção a alterações em sinais já existentes, como mudança de forma, cor ou tamanho.

Qualquer alteração suspeita deve ser avaliada por um profissional de saúde, de forma a garantir diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Dra. Rachel Siqueira, médica, durante entrevista sobre prevenção do cancro de pele e o uso correto do protetor solar para evitar o fotoenvelhecimento.

Cancro da pele e hábitos de exposição solar

A relação entre comportamento ao sol e risco de cancro da pele é amplamente reconhecida na literatura médica.

Teresa Silva: O aumento de casos de cancro da pele está relacionado com hábitos de exposição solar? O que devemos saber sobre este tema?

Dra Rachel Siqueira: Sim. O aumento dos casos de cancro da pele está diretamente relacionado com padrões inadequados de exposição solar ao longo da vida.

A radiação ultravioleta é o principal fator de risco para o desenvolvimento de neoplasias cutâneas. Entre os comportamentos mais associados estão a exposição prolongada sem proteção, a exposição entre as 10h e as 16h, histórico de queimaduras solares, especialmente na infância, uso incorreto de protetor solar e bronzeamento intencional.

A exposição repetida leva à acumulação de danos no DNA celular, aumentando a probabilidade de mutações que podem evoluir para cancro.

Os tipos mais comuns incluem o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma.


Importância do protetor solar

O protetor solar é considerado a base da prevenção dos danos solares, tanto a nível estético como clínico.

Teresa Silva: Qual a importância do protetor solar e que fatores devemos ter em conta na escolha do produto adequado?

Dra rachel Siqueira: O protetor solar é a principal medida de fotoproteção e é essencial na prevenção de queimaduras, fotoenvelhecimento e cancro da pele.

O seu uso regular ajuda a reduzir o risco de cancro da pele ao proteger contra danos no DNA celular, previne o envelhecimento precoce e evita queimaduras solares.

Deve ser utilizado diariamente, mesmo em dias nublados ou em ambiente urbano.

Na escolha do produto, devem ser considerados:

  • FPS 30 ou superior
  • Proteção de amplo espectro (UVA e UVB)
  • Resistência à água, quando necessário
  • Tipo de pele (oleosa, seca ou sensível)
  • Necessidades específicas (crianças ou pele sensível)

Retrato da Dra. Rachel Siqueira, médica especialista em medicina interna e estética, que ilustra as recomendações profissionais sobre proteção solar e saúde da pele no verão.

Cuidados adicionais de proteção solar

A proteção da pele não depende apenas do protetor solar, mas de um conjunto de comportamentos diários.

Teresa Silva: Que outros cuidados, para além do protetor solar, ajudam a proteger a pele no Verão?

Dra Rachel Siqueira: Além do uso de protetor solar, é fundamental evitar a exposição solar entre as 10h e as 16h, utilizar chapéu, óculos de sol e roupa protetora, procurar sombra sempre que possível e manter uma boa hidratação.

Estas medidas complementares ajudam a reduzir significativamente a exposição à radiação UV.


Cuidados após a exposição solar

Depois da exposição ao sol, a pele necessita de cuidados específicos para recuperar.

Teresa Silva: Depois de um dia ao sol, quais são os cuidados que devemos ter com a pele?

Dra Racehl Siqueira: Após a exposição solar, é importante hidratar a pele com produtos calmantes, como aqueles que contêm aloe vera, tomar banhos mornos ou frios, evitar produtos irritantes e garantir uma boa hidratação do organismo através da ingestão de água.


Queimadura solar: primeiros cuidados

As queimaduras solares são sinais claros de exposição excessiva e devem ser tratadas com atenção.

Teresa Silva: Em caso de queimadura solar, quais são os primeiros cuidados que devemos ter?

Dra Rachel Siqueira: Em caso de queimadura solar, recomenda-se arrefecer a pele com compressas frias, aplicar hidratantes suaves e evitar nova exposição solar.

Se surgirem sintomas mais graves, como bolhas extensas, febre ou dor intensa, deve ser procurada avaliação médica.


Pele bronzeada e proteção solar

Um dos mitos mais comuns é o de que a pele bronzeada já está protegida contra o sol.

Teresa Silva: É verdade que, se a pele já estiver bronzeada, precisamos de menos proteção solar?

Dra Rachel Siqueira: Não. A pele bronzeada não oferece proteção eficaz contra os efeitos da radiação solar.

O bronzeamento é uma resposta ao dano cutâneo e representa uma proteção muito baixa. Por isso, mesmo com a pele bronzeada, é indispensável manter o uso regular de protetor solar.

Citação da Dra. Rachel Siqueira sobre fotoproteção ao lado de um retrato da médica. O texto diz: "O protetor solar é a principal medida de fotoproteção e deve ser usado diariamente, mesmo em dias nublados."

Protetor solar e vitamina D

Existe frequentemente a preocupação de que a proteção solar possa interferir na produção de vitamina D.

Teresa Silva: O protetor solar impede a produção de vitamina D?

Dra Rachel Siqueira: O uso de protetor solar não impede de forma significativa a produção de vitamina D.

Mesmo com proteção, a quantidade de radiação UV que atinge a pele é suficiente para permitir a síntese desta vitamina. Em alguns casos, pode ser necessária suplementação com orientação médica.


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Maquilhagem com proteção solar

A maquilhagem com FPS é muitas vezes vista como alternativa ao protetor solar, mas será suficiente?

Teresa Silva: Maquilhagem com proteção solar substitui o protetor solar?

Dra Racehl Siqueira: Não. A maquilhagem com proteção solar não substitui o protetor solar.

Embora possa oferecer alguma proteção adicional, a quantidade aplicada geralmente não é suficiente para atingir o nível de proteção necessário.


Conselho final para proteção solar no Verão

No encerramento da entrevista, deixamos uma recomendação geral para uma exposição solar mais segura.

Teresa Silva: Que conselho principal deixaria para quem quer aproveitar o Verão sem comprometer a saúde da pele?

Dra Rachel Siqueira: A principal recomendação é manter uma fotoproteção consistente: usar protetor solar diariamente, reaplicá-lo ao longo do dia, evitar exposição solar nos horários de maior intensidade e adotar medidas adicionais, como chapéu.

Desta forma, é possível usufruir do sol com segurança, minimizando os riscos a curto e longo prazo.


A exposição solar faz parte da nossa vida diária, especialmente nos meses de Verão, mas os seus efeitos vão muito além do que é visível à superfície da pele. Como vimos ao longo desta entrevista, a radiação UV tem um impacto cumulativo, que pode acelerar o envelhecimento cutâneo e aumentar o risco de doenças graves como o cancro da pele.

Mais do que evitar o sol, o essencial é aprender a conviver com ele de forma consciente e protegida. O uso diário de protetor solar, aliado a hábitos simples como evitar as horas de maior intensidade solar, usar proteção física e manter a pele hidratada, faz toda a diferença na prevenção.

A mensagem central é clara: a proteção solar não deve ser vista como uma opção apenas de Verão, mas sim como um cuidado diário de saúde. Pequenos gestos consistentes ao longo do tempo têm um impacto profundo na saúde e na longevidade da nossa pele.


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