Celebramos a Língua Materna: Memória, Identidade e Cultura

Há datas que passam despercebidas no calendário, mas que carregam um significado tão profundo que mereciam, no mínimo, um feriado simbólico, um brinde ou, vá, um parágrafo carinhoso nas nossas agendas. O Dia Internacional da Língua Materna, celebrado a 21 de fevereiro, é uma dessas datas. E não, não foi inventada pela indústria das lembranças ou por linguistas apaixonados que queriam mais um motivo para falar sobre gramática. Esta celebração nasceu com uma história forte, e até trágica, que nos lembra o poder que as línguas têm na construção da nossa identidade.

Hoje, vamos explorar essa história, perceber porque é que a língua materna é tão mais do que palavras, e refletir sobre o impacto que ela tem nas nossas vidas, mesmo quando não estamos conscientes disso. Preparem o café, porque este é daqueles temas que mexe connosco.

Imagem de um dicionário aberto com uma lupa sobre as palavras, representando a importância da língua materna, da leitura e da preservação das línguas.
📑 Índice:


A origem do Dia Internacional da Língua Materna

A data foi proclamada pela UNESCO em 1999 e comemorada pela primeira vez em 2000. E tudo começou com um episódio marcante no Bangladesh: em 1952, estudantes que lutavam pelo reconhecimento da sua língua, o bengali, como língua oficial do então Paquistão foram mortos durante uma manifestação pacífica.

A UNESCO escolheu este dia precisamente para homenagear esses jovens e alertar o mundo para a importância de preservar e proteger as línguas maternas e a diversidade linguística.

Hoje, o mundo tem cerca de 7.000 línguas, mas metade pode desaparecer até ao final do século. Uma língua que desaparece é mais do que vocabulário que se perde: é cultura, memória, humor, tradições, histórias e maneiras únicas de ver o mundo.


Porque é que a língua materna é tão importante?

Imagem gráfica com texto sobre a importância da língua materna, destacando identidade, aprendizagem, memórias e preservação cultural, com fundo em tons pastel e materiais de escrita.

1. É parte da nossa identidade

A nossa língua materna é o primeiro código com que aprendemos a interpretar o mundo. É através dela que sentimos, pensamos, sonhamos e nos expressamos de forma mais autêntica. Quando falamos a nossa língua materna, algo em nós encaixa. Não precisamos de procurar palavras, de rever mentalmente regras gramaticais ou de treinar sotaques.

É natural. É nosso. É quem somos.


2. Melhora a aprendizagem ao longo da vida

Sabem aquela sensação de que aprendem tudo mais depressa quando alguém vos explica “na vossa língua”? Isso não é coincidência. Estudos mostram que aprender na língua materna desenvolve competências cognitivas mais sólidas, aumenta a autoconfiança e facilita o domínio de outras línguas.

Ou seja: quanto mais fortes forem as raízes, mais longe vão os ramos.


3. Aproxima-nos das nossas histórias e das nossas pessoas

Cada família tem expressões que só fazem sentido dentro da sua própria cozinha. Há palavras que carregam cheiros, sabores, recordações da infância ou frases que só a avó sabia usar, e que, de alguma forma, mantemos vivas cada vez que as repetimos.

A língua materna liga-nos ao passado, mas também aos nossos afetos. É uma herança invisível que recebemos e que passamos.


4. Preserva a cultura e a diversidade

As línguas não são apenas meios de comunicação, são arquivos culturais. Cada idioma traz consigo um conjunto de mitos, cantigas, formas de humor, filosofias e modos de interpretar a realidade.

Quando uma língua desaparece, desaparece também uma forma única de ver o mundo. Celebrar e utilizar a língua materna é uma forma de resistência cultural e de preservação das memórias coletivas.


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Curiosidades sobre o Dia Internacional da Língua Materna

  • Todos os anos, a UNESCO escolhe um tema diferente, como inclusão digital, educação multilingue ou preservação das línguas indígenas.
  • Em Portugal, o DIA serve muitas vezes para reforçar a importância da lusofonia, reunindo países que partilham a língua portuguesa, ainda que com sotaques, expressões e culturas muito distintas.
  • Existem línguas faladas por menos de 10 pessoas no mundo, verdadeiros tesouros à beira da extinção.
  • O português é a sexta língua mais falada do mundo, com mais de 260 milhões de falantes. E continua a crescer.
  • Algumas línguas não têm forma escrita, vivem exclusivamente na oralidade, passando de geração em geração como histórias contadas à volta de uma fogueira.


Como podemos celebrar a nossa língua materna?

Celebrar a língua materna não implica discursos elaborados ou teses linguísticas. Pode começar com gestos simples, mas cheios de significado:


1. Leiam um livro em português

Aproveitem o dia para mergulhar num livro escrito na vossa própria língua. A leitura ajuda-nos a expandir o vocabulário e a redescobrir a riqueza da nossa cultura literária.


2. Conversem com os mais velhos

Perguntem pelas expressões antigas, pelos ditados que já ninguém usa ou pelas palavras que só existiam “no tempo deles”. Assim ajudam a preservar memórias.


3. Escrevam

Nem precisam de publicar. Escrever na vossa língua materna, seja um diário, uma carta, uma reflexão solta, ajuda-vos a conectar com a vossa própria voz.


4. Ensinem às crianças

Se há algo que passa de geração em geração sem falhar é a língua. Partilhar histórias, canções e expressões é uma forma bonita de manter viva a herança linguística.


5. Valorizem a lusofonia

Ouçam música de outros países lusófonos, vejam filmes brasileiros ou angolanos, descubram a criatividade que nasce da mesma língua dita de mil maneiras diferentes.


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Reflexão final

O Dia Internacional da Língua Materna é um convite para regressarmos àquilo que nos constitui. À língua que moldou o nosso pensamento, que nos ensinou a sentir e que nos acolhe sempre que precisamos de regressar ao essencial.


Celebrar a língua materna é celebrar quem somos.

E, já agora, é celebrar este espaço onde partilhamos palavras, histórias e inspirações em português, sempre com autenticidade e um toque de humor.


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1 Comentários

  1. ✍🌿 Bom dia Térèsa, neste sábado pouco encorajador,
    onde o vento suspira e dispersa seus tormentos como uma velha orquestra errante,
    o céu amassado arrasta suas nuvens em manto de prata tremulante,
    a luz hesita e vacila como uma vela ao sopro incerto,
    mas penso em ti, amiga, e já meu coração se torna vibrante,
    a chuva murmura às janelas um salmo monótono e inquietante,
    contudo, sob esta cinza palpita um sol paciente e valente,
    um fogo discreto que amadurece no silêncio pulsante,
    e te envio, através deste sopro de vento hesitante,
    um pensamento doce, um brilho de amizade reconfortante.
    𝔹𝕀𝕊𝕆𝕌𝕊 💋
    La Plume de l’Âme Silencieuse 🪶
    ♢✦⟸❘༻❘༻ⓇⒺⒼⒾⓢ༺❘༺❘⇒✦♢

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