Cozinhar com Amor: Uma Conversa com a Chefe Sónia Costa

O Dia dos Namorados aproxima-se e, mais do que flores e chocolates, a verdadeira magia está na comida feita com amor. Cozinhar para alguém especial é uma forma de carinho, de partilhar memórias e criar momentos inesquecíveis. Para celebrar esta data, conversei com a Chef Sónia Costa, que nos revelou como a paixão pela cozinha se transforma em gestos de afeto, seja em família, num jantar romântico ou até mesmo para si própria.

Formada em Comunicação Social pela Universidade do Minho e com especialização em Gestão e Produção de Cozinha na Escola de Hotelaria e Turismo do Porto, Sónia une técnica, memória e sentimento, mostrando que cozinhar vai muito além das receitas.

Retrato da Chef Sónia Costa, pasteleira e formadora, a sorrir na cozinha, associando o amor aos sabores da infância e às memórias familiares.

📑 Índice:


O início da paixão pela cozinha

A paixão de Sónia pela culinária começou cedo, entre memórias de infância e a presença constante de avó e mãe na cozinha:

Teresa Silva: Como começou a sua paixão pela cozinha?

Sónia Costa: A paixão pela cozinha surgiu de forma natural e orgânica, mas sem consciência. A minha avó cozinhava para fora e a minha mãe também sempre cozinhou, fazia rissóis, bolos… Lembro-me de fazer arroz com oito anos ou massa folhada e arroz doce sozinha, com 10 ou 11 anos. Enquanto paixão só mais tarde, por volta dos 28 anos.


Teresa Silva: Lembra-se do primeiro prato que cozinhou com amor?

Sónia Costa: Sinceramente não. Mas lembro-me de fazer pão com a minha avó, de fazer bolos às escondidas da minha mãe, ou da massa que fiz quando soube que entrei na universidade, às 3h da manhã.


Desde cedo, Sónia percebeu que a cozinha era muito mais do que uma necessidade: era uma forma de expressar carinho e criatividade.

Prato de comida reconfortante servido para partilha, representando a ideia de que cozinhar com amor é cozinhar para mais do que uma pessoa.

Cozinhar com amor vs cozinhar por obrigação

Nem todas as refeições têm a mesma intenção. Para Sónia, a diferença entre um prato feito com amor e um prato feito por obrigação é clara:

Teresa Silva: Para si, o que distingue um prato “feito com amor” de um prato “feito por obrigação”?

Sónia Costa: O prato feito por obrigação é aquele do dia a dia, feito para ‘cumprir calendário’. O prato feito com amor é aquele planeado para uma ocasião especial, mas também pode ser um prato diário feito para dar um mimo a alguém, como, por exemplo, porque está doente ou teve um dia difícil.


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Teresa Silva: Quais são as receitas que mais associa ao amor e à família?

Sónia Costa: Hoje em dia são aqueles pratos que acompanham os almoços e jantares de família: arroz de cabidela, assados de domingo, farrapo velho, cozido à portuguesa. Pratos que dificilmente se fazem para uma ou poucas pessoas. Em si mesmos significam partilha e convívio com amigos e familiares.


Estes pratos refletem a essência da cozinha portuguesa afetiva, onde cada refeição é um momento de união e cuidado.


Tradição e memória na cozinha portuguesa

A gastronomia portuguesa está repleta de memórias, sentimentos e tradições que passam de geração em geração. Sónia explica como as suas próprias lembranças influenciam o que cozinha hoje:

Teresa Silva: Existe algum prato tradicional português que represente bem o afeto ou a partilha?

Sónia Costa: Pratos associados ao aproveitamento, como rabanadas ou migas, são especiais. Na minha esfera pessoal, leite-creme, que a minha avó fazia em dias chuvosos e frios.


Teresa Silva: A cozinha portuguesa tem muito de memória e de sentimento. Como é que, as suas memórias influenciam o que cozinha hoje?

Sónia Costa: Com a idade fiquei mais sentimental. Acabo por transferir muito do afecto para a comida: repetir comportamentos, fazer comida preferida quando alguém tem um dia difícil ou algo que sei que a pessoa gosta. Embora não seja adepta da expressão ‘cozinhar com amor’, entendo que o tempo que damos aos outros é importante, os chamados ‘acts of service’.


A sua abordagem mostra que cozinhar é também um ato de cuidado emocional, carregado de história e intenção.

Mesa com comida preparada para um momento de convívio, ilustrando que comer vai além da necessidade fisiológica e envolve prazer, memória e partilha.

Amor, sabores e menus para momentos especiais

Se o amor tivesse um sabor, seria único para cada pessoa, inspirado pelas memórias da infância. E quando pensamos em jantares românticos, a Chef Sónia Costa dá algumas sugestões deliciosas:

Teresa Silva: Se o amor tivesse um sabor, qual seria?

Sónia Costa: Não sei muito bem… seria diferente para cada pessoa, provavelmente associado à infância, confecionado pela mãe, pai ou avós.


Teresa Silva: Qual seria o menu perfeito para um jantar de Dia dos Namorados?

Sónia Costa: Não existem menus perfeitos. Teria de ser muito pessoal. Se fosse para mim, algo como sushi, bom vinho branco e petit gateaux de caramelo com sorvete de tangerina. Para cozinhar para alguém, talvez uma entrada vegetariana de beterraba, prato principal de peixe ou marisco e uma reinterpretação de um doce clássico, como tarte tatin com sorvete de dióspiro.


O segredo está em personalizar a refeição, combinando técnica, sazonalidade e carinho.


Cozinhar para si próprio: amor-próprio à mesa

Cuidar de si passa também pela cozinha: preparar refeições nutritivas e prazerosas, mesmo sozinho, é uma forma de amor-próprio.

Teresa Silva: Cozinhar também pode ser um ato de amor-próprio. Acha importante preparar uma boa refeição mesmo quando se está sozinho?

Sónia Costa: Claramente, sim. Mas confesso que também me custa cozinhar só para mim. Oscilo entre pratos que gosto e mais ninguém come, como fígado com cebolada, ou refeições simples, como sopa e sandes. Tento sempre preparar refeições equilibradas e prazerosas, mesmo quando estou sozinha.


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A mensagem final: comida como cuidado e sustentabilidade

Para Sónia, comer é um ato social e consciente, que vai além da saciedade:

Teresa Silva: Se pudesse deixar uma mensagem aos leitores sobre o amor e a comida, qual seria?

Sónia Costa: Comer não é só satisfazer uma necessidade fisiológica, é prazer e ato social. Devemos olhar para o alimento como um todo, e se puder fazer um apelo, gostaria que todos comêssemos mais alimentos locais e sazonais. Respeitar a natureza e os seus ritmos é o primeiro passo para a sustentabilidade. Comprar aos nossos vizinhos é muito mais especial do que produtos que viajaram mais do que nós.


Para acompanhar mais de perto o trabalho da Chef Sónia Costa, visitem o seu Instagram @dalicia.desserts onde partilha receitas, dicas e momentos da sua cozinha.


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1 Comentários

  1. Cozinhar é uma terapia, eu amo demais!

    Beijinhos amiga, fica com Deus!
    https://contornoperfeito.blogspot.com/

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