Durante anos, o conceito de carreira foi quase sagrado. Uma espécie de linha reta onde se entrava jovem, cheio de sonhos e camisas engomadas, e se saía… reformado, com relógio de ouro e uma festa no escritório.
Era o “trabalhar muito, subir na empresa, comprar casa e esperar o descanso merecido”. E, por muito tempo, isso fez sentido. Mas o mundo mudou, e nós tivemos de mudar com ele. Ou, pelo menos, devíamos ter mudado.
Hoje, quando falamos de carreira, já não estamos a falar de uma escada. Estamos a falar de um labirinto.
Um caminho onde é normal fazer voltas, parar, recomeçar, aprender algo completamente novo, e, muitas vezes, sentir que estamos a tatear no escuro. A carreira de antigamente era uma promessa. A de agora é uma constante negociação com a realidade.
O mito da estabilidade
A verdade é que crescemos a acreditar que bastava estudar, tirar um curso, entrar numa empresa e “pronto, a vida está feita”. Contudo, a estabilidade que tanto nos venderam nunca existiu de facto, era apenas mais estável comparada com o caos que temos hoje.
Hoje, até os empregos mais seguros podem desaparecer com uma reestruturação, uma fusão, uma pandemia ou um algoritmo novo.
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E aqui vem a parte que custa admitir:
Muitos de nós ficámos presos à ideia de que uma carreira é algo fixo, linear, previsível. E quando o imprevisto bate à porta, um acidente, uma doença, uma demissão inesperada, percebemos que não sabemos o que fazer a seguir.
Porque passámos tanto tempo a ser bons numa só coisa que desaprendemos o resto.
A carreira já não é um destino. É um percurso.
A diferença entre o “antes” e o “agora” é simples: antes, a carreira era sobre permanência. Hoje, é sobre adaptação.
Não basta saber fazer bem uma tarefa; é preciso saber aprender rapidamente outra.
E isso não é um sinal de instabilidade, é um sinal de inteligência.
Hoje, o profissional mais preparado não é o que sabe tudo, é o que sabe aprender tudo outra vez, se for preciso.
É o que tem curiosidade, resiliência e consciência de que o trabalho é apenas uma parte da vida, não o centro dela.
E sim, é assustador pensar que amanhã tudo pode mudar. Mas é também libertador saber que podemos reinventar-nos.
Quantas pessoas conhecem que mudaram completamente de área depois dos 40? Ou que descobriram um novo talento durante uma pausa forçada?
A flexibilidade, afinal, é a nova estabilidade.
E quando o plano A deixa de funcionar?
O problema é que ninguém nos ensinou a ter um plano B.
Falavam-nos de “carreira de sucesso”, mas não de “vida equilibrada”.
Ensinavam-nos a procurar um emprego, não a criar oportunidades.
E, de repente, quando o plano A desaba, ficamos ali, a olhar para as ruínas, sem saber por onde começar.
Mas aqui está a boa notícia: o plano B não precisa de nascer do desespero.
Pode nascer da curiosidade, da vontade de aprender, de testar, de explorar novas versões de nós mesmos.
Não é sobre desistir do que tínhamos, é sobre permitir-nos mudar sem culpa.
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Reinventar-se é um ato de coragem
Reinventar-se não é um golpe de sorte, é um exercício constante de autoconhecimento.
É aceitar que não temos de ser a mesma pessoa aos 25, aos 35 ou aos 50.
É admitir que podemos querer coisas diferentes, e que mudar não é sinal de fraqueza, mas de crescimento.
Se o conceito de carreira mudou, talvez esteja na altura de mudarmos a forma como nos olhamos também.
Afinal, a nossa identidade não é um cargo, nem um currículo, é a soma das experiências que nos transformam.
E talvez o verdadeiro sucesso profissional não esteja em “subir” nada, mas em conseguir equilibrar o que somos, o que fazemos e o que queremos continuar a aprender.
E vocês? Já sentiram que a vossa carreira deu uma volta inesperada? Ou que precisavam de um novo rumo, mas o medo falou mais alto?
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