Se nunca tiveram uma enxaqueca, é provável que pensem que se trata apenas de "uma dor de cabeça mais forte". Eu também gostava que fosse só isso. Infelizmente, quem vive com enxaquecas sabe que elas têm o poder de colocar a vida em pausa, de cancelar planos, de roubar dias inteiros e de nos fazer sentir que o nosso próprio corpo decidiu trabalhar contra nós.
No Dia Europeu da Ação na Enxaqueca, faz sentido falar sobre uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que continua, muitas vezes, a ser desvalorizada. Mais do que uma simples dor, a enxaqueca é uma doença neurológica que merece ser compreendida.
A minha experiência com as enxaquecas
Lido com enxaquecas há vários anos e, embora tenha aprendido a reconhecê-las e a gerir alguns dos seus sinais, continuo a sentir que nunca sei exatamente quando a próxima vai aparecer.
Há dias em que acordo perfeitamente bem e, poucas horas depois, começo a sentir aquele desconforto familiar. A luz parece demasiado intensa, os sons tornam-se insuportáveis e a dor instala-se lentamente até dominar tudo o resto. Nesses momentos, a única vontade é fechar as cortinas, desligar o mundo e esperar que passe.
Confesso que, durante muito tempo, senti alguma frustração. Cancelar compromissos à última hora, adiar trabalho ou simplesmente não conseguir aproveitar um dia bonito porque a cabeça não colaborava fazia-me sentir culpada. Com o tempo, percebi que essa culpa não fazia sentido. A enxaqueca não é uma escolha, nem um sinal de fraqueza.
Hoje tento ouvir mais o meu corpo. Nem sempre consigo evitar uma crise, mas aprendi que respeitar os meus limites é tão importante como cumprir a lista de tarefas.
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O que é, afinal, uma enxaqueca?
A enxaqueca é uma doença neurológica caracterizada por episódios recorrentes de dor de cabeça moderada a intensa, frequentemente acompanhados por outros sintomas.
Entre os mais comuns estão:
- Dor pulsátil, geralmente num dos lados da cabeça;
- Náuseas ou vómitos;
- Sensibilidade à luz (fotofobia);
- Sensibilidade ao som (fonofobia);
- Sensibilidade aos cheiros;
- Alterações visuais, conhecidas como aura, em algumas pessoas.
As crises podem durar entre quatro e 72 horas e variar bastante de intensidade.
O que pode desencadear uma enxaqueca?
Embora cada pessoa tenha os seus próprios fatores desencadeantes, existem alguns que são frequentemente apontados:
- Stress;
- Falta ou excesso de sono;
- Alterações hormonais;
- Desidratação;
- Saltar refeições;
- Alguns alimentos ou bebidas;
- Mudanças bruscas no tempo;
- Excesso de estímulos visuais ou sonoros.
No meu caso, já percebi que o stress e a falta de descanso são uma combinação quase garantida para uma crise. Nem sempre é possível evitar estes fatores, mas conhecê-los ajuda bastante.
A importância de conhecer os nossos gatilhos
Uma das estratégias que mais me ajudou foi começar a prestar atenção aos dias em que tinha enxaquecas.
Anotar o que tinha comido, quantas horas dormi, como estava o meu nível de stress ou até o estado do tempo permitiu-me encontrar alguns padrões. Não é uma solução milagrosa, mas torna mais fácil antecipar algumas situações.
Se sofrem de enxaquecas com frequência, talvez valha a pena experimentar um diário de sintomas. Pode ser um caderno, uma aplicação ou até uma simples nota no telemóvel.
Como aliviar uma crise de enxaqueca
Cada pessoa responde de forma diferente, mas algumas medidas costumam ajudar:
- Descansar num ambiente escuro e silencioso;
- Manter uma boa hidratação;
- Tomar a medicação prescrita pelo médico logo nos primeiros sintomas;
- Evitar ecrãs durante a crise;
- Tentar dormir, sempre que possível.
É importante lembrar que recorrer frequentemente a medicamentos para aliviar a dor deve ser acompanhado por um profissional de saúde, uma vez que o uso excessivo pode, em alguns casos, agravar o problema.
A enxaqueca não é "só uma dor de cabeça"
Esta é, talvez, uma das mensagens mais importantes deste dia.
Ainda existe quem minimize a enxaqueca com frases como:
"É só tomar um comprimido."
"Também me dói a cabeça às vezes."
"Isso passa."
Quem vive com esta condição sabe que não é assim tão simples.
A enxaqueca pode afetar a vida profissional, familiar e social. Pode obrigar a cancelar férias, aniversários, jantares ou dias de trabalho. Pode impedir alguém de conduzir, de cuidar dos filhos ou simplesmente de sair da cama.
Por isso, falar sobre este tema também é uma forma de criar mais empatia.
Pequenos hábitos que fazem diferença
Embora não exista uma fórmula universal, algumas rotinas podem contribuir para reduzir a frequência das crises:
- Dormir horários regulares;
- Beber água ao longo do dia;
- Não saltar refeições;
- Praticar atividade física moderada;
- Gerir o stress sempre que possível;
- Fazer pausas durante longos períodos ao computador.
Não significa que deixem de existir enxaquecas, mas qualquer melhoria na qualidade de vida já faz diferença.
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Por que é importante assinalar o Dia Europeu da Ação na Enxaqueca?
Datas como esta ajudam a dar visibilidade a uma doença que continua rodeada de mitos.
Quanto mais se falar sobre enxaquecas, maior será a compreensão por parte da sociedade, dos empregadores, das escolas e até da família.
Ninguém escolhe viver com dor. Mas todos podemos contribuir para que quem sofre de enxaquecas se sinta mais compreendido e menos julgado.
Vamos continuar esta conversa?
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Oi, Teresa! Graças a Deus não tenho e nunca tive enxaqueca. Tenho uma colega que tem, ela não vai trabalhar quando a dor toma conta. Beijos! :-)
ResponderEliminarOlá, Teresa. Só tive uma vez enxaqueca que eu precisei fechar todo o quarto e ficar no escuro para a dor passar.
ResponderEliminarAquele seu link do questionário não abriu para eu responder.
beijos
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